Project Management Aplicado à Gestão de RH

Três Soluções para Melhorar Sua Performance o os Resultados da Empresa

julho 23, 2008 por Paul Dinsmore

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Performance. Resultados. Produtividade. Qualidade. Custo-benefício. Rapidez. São palavras que se ouve cada vez mais na área de Recursos Humanos nas empresas. Esta preocupação tem origem no mercado que exige produtos e serviços que atendam aos requisitos de performance, custo, prazo e qualidade. Em função desta pressão, a alta administração incentiva toda a organização a se esforçar para atender as demandas do  mercado. Consequentemente, Recursos Humanos, que há poucos anos ocupava uma posição de apoio e “overhead”, agora se vê obrigado a demonstrar como contribuir para melhorar o desempenho global da empresa. Em algumas empresas, implantou-se até o conceito de “RH como centro de lucratividade.

Por ser pautado no trinômio qualidade-custo-prazo, “project management”, ou gerência de projetos, oferece soluções para aumentar a contribuição de RH para a performance da empresa. Por exemplo, há soluções específicas para melhorar o desempenho na área de RH. Uma abordagem mais abrangente envolve  a capacitação do pessoal da empresa  em “project management”, visando aumentar a produtividade nos projetos em várias áreas. E finalmente há a solução empresarial, que visa capacitar a empresa como um todo para se administrar “por projetos.”  

Neste artigo, são tratadas estas três formas, em que o conceito de “project management” pode ser aproveitado, direta e indiretamente,  pela área de RH.

A demanda crescente por “project management”

Nos últimos 20 anos, descobriu-se amplas aplicações de “project management”, além daquelas tradicionais (engenharia, construção, projetos aeroespaciais, informática).  Suas técnicas têm-se mostrado úteis também em outros campos onde há mudança ou novas iniciativas, por exemplo, em marketing, qualidade, vendas, produção e RH. Apesar da amplitude das aplicações e da demanda crescente, há uma lacuna entre esta demanda e a capacitação dos profissionais em gerência de projetos.

Nas minhas palestras para executivos e gerentes sobre “Novas Tendências no Mundo de Projetos,” costumo fazer uma pesquisa informal junto aos participantes. Pergunto “Qual a porcentagem do seu tempo dedicada a planejamento e implementação de projetos e qual a porcentagem dedicada a assuntos rotineiros?” Invariavelmente as respostas confirmam que mais de 50% do tempo dos executivos é dedicado a projetos, chegando esta porcentagem a até 80% em alguns casos. Tom Peters afirma que, se pelo menos 70% do tempo do executivo/gerente não estiver sendo aplicado a projetos, “algo está errado.”

Pergunto ainda nas palestras, “Quem recebeu alguma formação ou treinamento em gerenciamento de projetos?”  Aqui as respostas variam substancialmente, entre 0 e 50%. E finalmente pergunto, “Quem aplica os princípios de “project management” regularmente nos seus projetos?” A faixa de respostas normalmente é de 0 a 20%.  Isto demonstra um paradoxo enorme: a natureza da função gerencial hoje é mais para projetos do que para atividades rotineiras, mas a maioria das pessoas não tem formação para gerenciar projetos com eficácia.

O Novo Milênio promete aplicações mais amplas e especificas de gerência de projetos, caracterizando-se como necessidade profissional tão básica quanto a administração do tempo, as técnicas de negociação, as técnicas fundamentais de gestão e o uso do microcomputador. À área de RH, cabe ficar atenta a esta evolução, visando melhor aplicar “project management” na própria área, bem como na empresa como um todo.

O que é “project management”

Projetos são empreendimentos ou conjuntos de atividades únicos e não repetitivos com metas fixadas dentro de parâmetros de custo, qualidade e prazo. Fazer uma ampliação de uma fábrica é um projeto. Desenvolver um programa para introduzir “empowerment” também é um projeto, bem como implantar um novo sistema integrado na empresa.

“ Project management,” ou a gerência de projetos, é a  combinação de pessoas, técnicas e sistemas necessários à administração dos recursos indispensáveis ao objetivo de atingir o êxito final destes projetos. Em outras palavras, gerenciar um projeto significa fazer o necessário  para completá-lo dentro dos objetivos estabelecidos.

Há duas escolas de ensino de gerência de projetos:  a primeira e mais antiga baseia-se no conceito de cíclo de vida do projeto e parte de uma premissa “temporal”, dividindo o projeto em fases como concepção, planejamento, execução e fechamento. As atividades relativas a cada fase são delineadas, e se todas forem executadas corretamente, segundo esta escola, o projeto será bem sucedido. A segunda escola, chamada de Universo de Conhecimento da Gerência de Projetos, vem ganhando espaço desde o inicio dos anos 90 e parte do pressuposto que existe uma série de disciplinas que precisam ser aplicadas em projetos para garantir seu sucesso.  Estas disciplinas, fixadas no “Guide to the Project Management Body of Knowledge” do “Project Management Institute” (PMI), são as seguintes: gerenciar prazo, gerenciar custo, gerenciar qualidade, gerenciar escopo, gerenciar risco, gerenciar comunicação,  gerenciar recursos humanos, gerenciar suprimentos/contratação, assim como, gerenciar integração (que inclui planejamento, acompanhamento e controle de mudanças). Na prática, as duas escolas são complementares. A abordagem moderna leva em conta tanto o aspecto de ciclo de vida do projeto quanto as disciplinas.

Programas de software de controle de projetos (programas de computador que acompanham o andamento de projetos) são muito úteis, uma vez estabelecida uma metodologia própria para a empresa e treinados os gerentes e as equipes na teoria e prática de gerenciar projetos. Sem tais antecedentes, porém, os programas de software são de pouca eficácia.

 

Aplicação número 1: Melhoria do desempenho da área de RH

Como os demais dirigentes da empresa, os diretores e gerentes na área de RH passam mais tempo desenvolvendo e implementando projetos do que gastam em atividades rotineiras (se não for, a função precisa ser revista com urgência). Sendo assim, os projetos de RH merecem um tratamento profissional, que garanta um alto desempenho  em termos de qualidade, custo e prazo.

Exemplos de projetos de RH são: programa anual de desenvolvimento e treinamento, implantação de novo sistema de recrutamento e seleção, terceirização de parte da função RH, participação em projeto de integração empresarial do tipo SAP, interface com projetos de qualidade. Se tais projetos forem conduzidos com base no bom senso, experiência anterior e intuição, os resultados poderão ser até razoáveis a bons. Se for aplicada a gerência de projetos, no entanto, certamente os resultados serão melhores: haverá maior produtividade e eficácia e menos re-trabalho e ineficiência.

Como então aplicar “project management” na área de Recursos Humanos? Eis um roteiro simplificado para planejar a implantação de gerência de projetos em RH :

1.    Conhecer a situação. Fazer um levantamento dos projetos em andamento na área e avaliar a aplicabilidade de gerência de projetos. Realizar pesquisa de artigos e livros para familiarizar-se com o assunto.

2.    Definir objetivos.  Estabelecer o que  pretende alcançar com a aplicação de gerência de projetos em RH (aumentar produtividade, reduzir custo, melhorar qualidade, acelerar prazos, tudo isto?)  Verificar como mensurar os ganhos propostos.

3.    Fixar estratégia. Determinar de que jeito você pretende introduzir a nova modalidade (método autodidata, assistir seminários abertos, contratar seminários “in-house”, usar consultoria interna,  consultoria externa).

4.    Identificar atividades. Dependendo da estratégia escolhida, listar todas as atividades necessárias para implantar a nova modalidade (no caso de consultoria interna, por exemplo: descobrir qual o consultor que tem o “expertise” necessário, fornecer informações através de documentos e entrevistas, desenvolver em conjunto a metodologia e plano de trabalho a serem seguidos (definir etapas que antecedem treinamento, o conteúdo do treinamento em si, eventos de “follow up” e assessoria “on the job”).

5.    Seqüenciar atividades. Determinar em que ordem as atividades serão executadas, e se existem atividades que podem ser feitas em paralelo.

6.    Identificar recursos. Verificar e quantificar os recursos necessários: financeiros, humanos, “hardware” e “software”, etc.

7.    Estabelecer tempo para cada atividade. Fazer a estimativa de tempo para cada atividade, para poder calcular o tempo global necessário.

8.    Fixar datas.  Colocar as atividades e tempos num cronograma para ter visão global do projeto.

9.    Rever tudo.  Fazer revisão do plano visando otimizar custos, prazos e qualidade.

Aplicação número 2: Capacitação das pessoas da empresa para melhor gerenciarem seus respectivos projetos

Capacitar as pessoas para gerenciarem projetos depende de três fatores: 1) metodologia padrão de gerenciamento coerente com a cultura e práticas da empresa,  2) apoio “on the job” para os projetos, e 3) programa de educação em gerência de projetos. A metodologia padrão deverá se basear no ciclo de vida e no universo de conhecimento, e na integração destes conceitos com os procedimentos já existentes na empresa, por exemplo: comunicação de dados, orçamentação, e processos decisórios.  Apoio “on the job” via consultoria interna ou externa, é necessário ao longo de, e após o programa educacional, para garantir a aplicação efetiva das técnicas de gerência de projetos. O  programa educacional  pode variar entre um programa completo até algo simples e mínimo.

Um programa completo de educação em gerência de projetos abrange um público que inclui diretores, gerentes de projeto, membros de equipes, parceiros e fornecedores chaves, e gerentes funcionais. O programa se divide em três e inclui diversos cursos em cada categoria:

1.    Fundamentos: curso básico em gerência de projetos, cursos sobre as áreas do universo do conhecimento, curso sobre conceitos gerenciais e administração, curso sobre ferramentas e “software” de controle de projetos.

2.    Programas interativos: workshop de partida, workshop de integração da equipe do projeto, workshop de integração entre grupos (parceiros, consórcios, clientes).

3.    Programas dirigidos: cursos voltados especificamente para gerenciar projetos de determinada disciplina, por exemplo: tecnologia da informação, construção, pesquisa e desenvolvimento, lançamento de novos produtos, área de recursos humanos.

Grandes empresas do tipo ABB, IBM, 3M e Hewlett Packard tendem a ter programas amplos deste tipo, que são aplicados conforme as necessidades.

Para empresas que preferem uma abordagem mais humilde, eis a sugestão para iniciar a capacitação do pessoal de sua empresa: 1) realizar palestra de sensibilização sobre o assunto para o público alvo, 2) confirmar necessidades e expectativas, 3) desenvolver  curso piloto “sob medida” e realizá-lo.  4) Avaliar os resultados, e determinar próximos passos com base no curso piloto.

Publicado em: Gerenciamento de projetos
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