VIPs: A Chave para Otimizar o Valor de Empreendimentos.

agosto 6, 2008 por Dinsmore Associates

Como maximizar valor para os investidores através do gerenciamento de um empreendimento é o desafio enfrentado por gerenciadores ao longo das diversas fases de grandes projetos. Tanto o próprio investidor, quanto o sponsor e o gerente de projeto têm o interesse e responsabilidade de administrar as muitas variáveis de forma que os fatores custo, prazo e qualidade sejam otimizados. Já que as pressões são grandes, as variáveis muitas e os recursos geralmente escassos, persististe a pergunta: “Como maximizar o valor de um empreendimento através das boas praticas do gerenciamento?”

 

Há boas respostas para esta indagação. Uma delas são as chamadas “práticas de melhoria de valor”. Independentemente das boas práticas de gerenciamento de projetos, há abordagens especificas voltadas a agregar valor ao empreendimento, aplicadas principalmente a grandes projetos industriais, mega-projetos de obras civis e plataformas de exploração e produção de petróleo. Estas melhorias, tratadas de VIPs (sigla em inglês para Value Improving Practies) apresentam uma alternativa de solução.

 

As VIPs são práticas formais aplicadas durante o gerenciamento de um projeto e seguem um processo formal e documentado. Elas objetivam o refinamento dos parâmetros do projeto através de técnicas de engenharia de valor, redução de custos em relação ao orçamento de capital, melhoria de processos e otimização da operação. Assim, os benefícios se realizam não somente na fase da implementação, mas se estendem também ao longo da vida útil do empreendimento. O objetivo é de agregar valor ao projeto, para benefício dos investidores.

 

O foco das VIPs se volta principalmente para áreas que produzem benefícios diretos para os investidores. Existem ainda outras VIPs que geram benefícios não tão mensuráveis, mas também importantes, voltados, à saúde, ao meio ambiente e à segurança. A escolha e aplicação das VIPs depende da natureza do empreendimento, porém, é preciso priorizar e optar por aquelas que mais agregam valor. Cabe aos gerenciadores escolherem o conjunto de benefícios mais desejados e em seguida priorizar as VIPs mais coerentes com aqueles benefícios para o tipo de empreendimento em questão.

 

VIPs podem ser categorizadas como industrial, comercial e social. Os critérios de aplicação e sucesso são os mesmos nas diferentes categorias. No entanto as métricas e benefícios poderão variar. “Quanto mais cedo melhor” é uma premissa básica das VIPs.  A eficácia reside na lógica de buscar melhorias nas fases iniciais do projeto, quando os conceitos e atividades ainda se encontram na fase de planejamento. Assim, ajustes podem ser feitos através da mudança nos desenhos da tecnologia dos projetos de engenharia, das especificações e dos métodos construtivos, sem que haja necessidade de perder equipamentos já adquiridos e ou readaptar instalações já em construção.

 

Ao longo da vida dos projetos, as equipes responsáveis pelo gerenciamento encontram desafios que incluem limitações de custo, tempo e recursos impostos pelo cliente, pelo financiador ou pelas condições de mercado, PELA tecnologia, ou ainda, mudanças no foco e nos objetivos.  Nesse cenário, torna-se fértil a utilização das VIPs, em busca de melhorias nas definições e especificações originais para agregar mais valor ao projeto, seja monetário, operacional ou de qualidade.

 

Existe ainda a tese de que as VIPs devem ter um tratamento a parte do gerenciamento convencional do empreendimento, ficando sob uma coordenação especifica.  Isto é devido aos conflitos de opiniões e interesses que o movimento VIP comumente gera.  Assim, fica assegurada que as iniciativas VIPs não fiquem prejudicadas na hora de fixar prioridades e que o resultado delas seja efetivamente aplicado ao projeto.

 

A conseqüência de não aplicar VIPs poderia desconfigurar os parâmetros do projeto, alterando substancialmente o seu estudo de viabilidade técnica e econômica. Por exemplo, se o impacto de grandes variações no custo da energia durante a operação for ignorado, um empreendimento concebido com índices louváveis de custo, prazo e qualidade poderá se tornar inviável em termos operacionais.  Da mesma forma, o empreendimento que estoura o orçamento e atrasa sua entrada em operação por erros construtivos, resultaria num negocio de retorno abaixo daquele inicialmente idealizado.

Por se tratar de investimentos grandes, economias feitas nas fases de planejamento e implementação das obras tornam a relação custo-benefício mais atrativa. Mesmo após a implementação, as decisões tomadas anteriormente sobre equipamentos específicos pode tornar a operação mais competitiva.  A aplicação de VIPs  no mínimo garante um check up de qualidade em relação à engenharia de projeto e, em muitos casos, identifica potenciais economias nos fatores custo, prazo e de utilização de recursos, tanto durante a implementação, quanto nas fases de operação.

 

Autores:

Paul Campbell Dinsmore, PMP, Fellow do PMI, conferencista internacional e presidente da Dinsmore Associates.

Pedro Leon Ugalde, idealizador dos workshops internos sobre VIPs  na UN-Rio da Petrobras forneceu valioso suporte e conteúdo para este artigo, que contou também com subsídios do manuscrito “VIPs – Value Improving Practices:  Práticas de Melhoria de Valor”, que teve participação da equipe de consultores da Dinsmore Associates alocada na UN-Rio.

Publicado em: Gerenciamento de projetos